Aniversário do Cine Olympia: história do cinema mais antigo do Brasil inclui polêmica por piano centenário colocado à venda por R$ 8 mil
114 anos do Cine Olympia inclui história de piano colocado à venda na internet O Cine Olympia completa 114 anos nesta sexta-feira (24), em meio à história d...
114 anos do Cine Olympia inclui história de piano colocado à venda na internet O Cine Olympia completa 114 anos nesta sexta-feira (24), em meio à história de resistência do cinema de rua mais tradicional de Belém e do país. O local está fechado desde 2020 e deve ser reaberto no segundo semestre, segundo a Prefeitura de Belém. A história dele inclui um piano centenário que teria acompanhado sessões de filmes mudos no início do século passado e que foi colocado à venda recentemente na internet por R$ 8 mil. O valor, visto o peso histórico da peça, gerou polêmica e repercussão nas redes sociais. Após a polêmica, a prefeitura diz ter adquirido o piano para integrar uma sala de memória que deve funcionar no cinema quando for reaberto. O instrumento faz parte da trajetória do Olympia desde os tempos em que os filmes ainda eram exibidos sem som. Naquela época, os pianos tocados ao vivo tinham papel fundamental durante as sessões e ajudavam a conduzir a experiência do público. LEIA TAMBÉM: Cinema mais antigo do Brasil, Olympia completa 114 anos e será reaberto no 2º semestre, após restauração, diz prefeitura ✅ Clique e siga o canal do g1 PA no WhatsApp Piano do Cine Olympia Paula Lourinho/Agência Belém Origem do instrumento A história do piano hoje envolve a professora Márcia Alivert, que quer vendê-lo, e uma série de questionamentos nas redes sociais sobre o fato de um objeto ligado a um patrimônio histórico ter ido parar em um anúncio na internet. Para entender a trajetória da peça, é preciso voltar ao início do século passado, quando o avô de Márcia, Clóvis Ferreira Jorge, empresário de Belém e dono de uma frota de ônibus populares da época, comprou o piano em uma venda feita pelo então proprietário do Olympia. A venda ocorreu no início da década de 1930, quando o cinema, que tinha o som feito pelo pianista e seu piano, passou a ter som. Além disso, o Cine Olymía ainda era privado. Assim, o piano deixou o cinema e ficou na sala de uma casa. O crítico de cinema e pesquisador Marco Antônio Moreira, que trabalhou no Cine Olympia, explica que a venda do piano foi possível também porque o cinema só passou a ser patrimônio do município a partir de 2006, quando a situação já era diferente da fase privada do espaço. "O piano tem uma longa história. Quando nos mudamos, depois o piano estava muito velho e minha mãe vendeu para uma aluna. Uns 20 e tantos anos depois encontrei esta aluna, que já era uma senhora e ela disse: 'o piano da tua mãe está lá em casa, vou até vender'. E eu comprei o piano de volta, fiz várias restaurações. Chegou uma hora que eu disse que não vou mais conseguir restaurar, também me mudei para uma casa menor", explicou Márcia. Peça rara O piano pesa cerca de 250 quilos e foi feito para resistir ao clima amazônico. Além disso, ainda preserva a placa de fabricação alemã de 1913, detalhe que reforça o valor histórico do instrumento. A chegada do piano também se confunde com a história musical da família Alivert, que formou gerações de músicos e musicistas em Belém. Ao longo do tempo, o instrumento teve papel importante na formação musical dentro e fora da família. Estado atual Apesar da relevância histórica e afetiva, o piano está parado e precisa de muitos reparos. Segundo a professora Gabriela Afonso, da Escola de Música da UFPA, especialista em pianos Pleyel, o custo de restauração do piano custaria cerca de R$ 30 mil. A expectativa é que o secular piano possa voltar ao Cine Olympia e integrar o centro de memória do espaço, que passa por reformas. A intenção de Márcia é simples: que o instrumento volte a ter funcionalidade e esplendor. A Prefeitura de Belém a sala de memória, que vai funcionar como um pequeno museu dentro do cinema, vai reunir peças históricas, como o antigo projetor e o piano, recentemente adquirido pela prefeitura para integrar o acervo. Cine Olympia em 1912, auge da Belle Époque, momento de prosperidade e intensa efervescência cultural Reprodução / Agência Belém VÍDEOS: veja todas as notícias do Pará A